TFP, Cisões e Arautos do Evangelho: história, controvérsias e desdobramentos
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| TFP recebe imagem milagrosa de Fátima |
Era corrente dentro da TFP que a entidade nunca poderia ser uma ordem religiosa devido sua posição tradicionalista em face as reformas promovidas na Igreja com o Concilio Vaticano II.
Após a morte do seu fundador, Plinio Corrêa de Oliveira, teve início um processo de cisão na entidade que levou a uma disputa encabeçada por João Cla Dias contra o segundo grupo de fundadores, todos na casa de seus sessenta e senta anos de idade, João Cla ganhou na justiça os direitos sobre a entidade no Brasil e em outros países, curiosamente, ele e seus seguidores fecharam a entidade nesses países, inclusive no Brasil.
Em São Paulo a entidade sob seu comando limitou-se a manter um pequeno sobrado na Rua Martins Francisco no bairro de Santa Cecilia na capital paulista, prédio onde se reunia o primeiro grupo remanescentes das Congregações Marianas que juntamente com Plinio Corrêa de Oliveira fundou a TFP em 1960.
Ao se desligarem da TFP buscando na justiça "direitos de igualdade" de voto, indo contra os estatutos da entidade, "os revoltosos" - como ficaram sendo chamados os que seguiram o líder João Cla - constituíram uma nova entidade, Arautos do Evangelho, vindo ter reconhecimento canônico pelo Vaticano. Todos os membros mais velhos dos Arautos pertenceram a TFP, curiosamente muitos desses foram ordenados padres já com avançada idade, alguns com mais de sessenta anos. inclusive o João Cla.
Todos esses dedicaram mais da metade de suas vidas na defesa dos princípios defendidos pela TFP, como a tradição litúrgica, a luta contra todas as formas de comunismo etc.
Arautos e Arautas do Evangelho
Ao contrário da nova entidade fundado por João Cla, a TFP era uma entidade civil composta de católicos, sua posição sobre as questões religiosas sempre foi com a visão de católico leigo comum, a única posição intransigente da TFP era em relação a prática da tradição litúrgica não aderindo ao novus ordo de Paulo VI.
A TFP tinha uma atitude diplomática, não fazia propaganda pública contra a "Missa nova", se limitava a instruir seus cooperadores, correspondes e simpatizantes sobre as consequências das reformas pós concilio Vaticano II e os motivos pelos quais mantinha a prática da doutrina tradicional de sempre da Igreja.
O alinhamento de João Cla e seus seguidores, ex-membros da TFP, com o Vaticano teve início cerca de dois anos após a morte de Dr. Plinio que culminou com a aprovação de sua "ordem de cavalaria". No ano seguinte após a morte de Dr. Plinio teve início dentro da entidade um disse que não disse sobre as atitude do "senhor João", com ele era tratado pelos jovens da TFP, que ele seduziu com seus "encantos" de grande orador e manipulando as explicitações de Dr. Plinio sobre a restauração da civilização cristã e do seu desejo do triunfo do Imaculado Coração de Maria, com isso se formou dois grupos, "os contra o senhor João e os a favor".
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| Os Arautos e Arautas do Evangelho |
João Cla tinha a maioria, parecia que já havia criado uma TFP paralela a um certo tempo, dizia ser ele o membro que mais compreendia os desejos de Dr. Plinio e após sua morte passou a atuar abertamente assumindo o papel de líder maior da entidade. Realizava cerimonias medievais cada vez mais pomposas com marchas de cavalaria em todos os eventos da entidade, percorreu as casas por todo o Brasil e aproveitando-se da popularidade da campanha Vinde Nossa Senhora não Tardeis que penetrou nos meios católicos em todas as dioceses do Brasil foi enchendo a TFP de jovens, moças e rapazes.
Com isso a TFP inchou de simpatizantes, moças na maioria, e João Cla já contava com um grupo de moças e senhoras alinhadas com ele para fazer "apostolado" com esse novo publico que era "doutrinado" no novo modelo, a dos Arautos, tudo mais liberal, até o repertorio da fanfarra que era seu cartão de entrada nas paróquias mudou parte do repertório para agradar e não chocar os novos adeptos que se aproximava.
Mas, assim como todas as entidades que procuraram se "legalizar" junto ao Vaticano por ter conservado a Missa Tradicional em latim tiveram que pagar um preço, os Arautos também pagou seu preço.
A regra para padres como os de Campos, por exemplo, foi silenciar suas criticas ao concilio Vaticano II e suas consequências. E qual foi o preço para os arautos? Para quem não foi da TFP e não conhece os motivos pelos quais ela era tão intransigente quanto a reforma litúrgica, o comunismo etc, não será fácil entender.
Primeiro os membros antigos tiveram que se tonar padres, você perguntará, mas eles foram obrigados? Tudo indica que sim, pois a Igreja precisava ter um certo controle sobre aqueles que um dia foram da TFP e eram críticos do Concilio Vaticano II e suas consequências, entre esses havia até quem não foi ordenado padre nos anos setenta por ser alinhado com a TFP, agora as portas estavam abertas. Os padres dos Arautos faz um arremedo de Missa tradicional, para os seus membros e simpatizantes eles são "tradicionais" celebram a missa tradicional, mas a verdade é que é a missa nova com as suas características de pompa e circunstância, a mesma missa que era alvo de suas criticas, nada mais.
Esses ex-membros da TFP, alguns já falecidos, tiveram que "renunciar" as suas convicções tradicionais que tinham até aquele momento, aderiram a missa nova, pararam com divulgação da mensagem de Fátima como a TFP fazia, fecharam todas as casas da TFP, até a vigília de orações na sede da rua Martin Francisco que acontecia das 18 as 6hs da manhã, ininterrupta por trinta anos eles acabaram, essa atitude nos mostra que tudo foi um acordo - qual o acordo - para se legalizar era preciso romper com as ideias defendidas pela TFP, era preciso romper com suas consciências, para mim foi o que fizeram.
João Cla fazendo exorcismo não autorizado
Depois dos abusos escandalosos que veio a publico que levou a uma intervenção na entidade, levando a renúncia de João Cla como superior geral - o que deveria ser visto como um escândalo - os Arautos se queixam de serem perseguidos pela cúpula da Igreja, ora, João Cla e seu seguidores, ex-membros da TFP sabiam que o Vaticano não aceita criticas ao concilio, mesmo os papas tidos como conservadores como João Paulo II que os legalizou e Bento XVI.
João Cla fez criticas abertas ao Papa Francisco, promoveu exorcismo sem ter autorização, se promovia com sendo santo e profeta.
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| João Cla fazendo exorcismo |
O que ele dizia ser seu temperamento espanhol tinha muito de orgulho e soberba e em tempos de internet, redes sociais tudo isso veio a publico provocando um escândalo que foi explorado por jornais e redes de TV, e uma coisa que João Cla não tinha era humildade, sabedoria e astucia para ler a opinião publica como Dr. Plinio sabia fazer.
A denuncia publica que os Arautos estão fazendo sobre a intervenção do Vaticano é própria da soberba de seu fundador, João Cla Dias, que para seus seguidores era um santo vivo, mas que, segundo denuncias de ex-membros dos Arautos praticava atos condenáveis e arbitrários contra jovens. Resta saber se com essa guerra declarada ao Vaticano, que em nada lembra a prudência da TFP e seu fundador, os Arautos vai ser mais um grupo sedevacantista na Igreja.




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